Os Estados Unidos vivem nesta segunda-feira o momento mais importante da história do futebol americano: um confronto contra a Bélgica em Seattle pelas quartas de final da Copa do Mundo. O jogo, porém, chega cercado de uma das maiores controvérsias já vistas em um torneio de tal magnitude, depois que a FIFA suspendeu a punição do atacante Folarin Balogun mediante pressão direta do presidente Donald Trump sobre o chefe da entidade, Gianni Infantino.
Balogun havia recebido cartão vermelho direto, confirmado por revisão de vídeo, por pisar no pé de um defensor da Bósnia-Herzegovina nas oitavas de final, jogo que os EUA venceram por 2 a 0. Pela regra automática da FIFA, o vermelho direto gera suspensão de um jogo - o que o tiraria exatamente do duelo com os belgas. Dois dias depois, a federação anunciou que a punição ficará suspensa por um ano, sem oferecer qualquer explicação técnica ou regulamentar para a decisão. O episódio não passou despercebido em outros esportes de alta visibilidade: num cenário em que até o universo dos esports debate governança e influência política - como se vê no crescimento de organizações como a T1 no topo do ranking mundial de esports -, a capacidade de agentes externos de alterar resultados disciplinares levanta questões que vão além do futebol.
Trump celebrou o desfecho em sua plataforma Truth Social com a frase: "Obrigado à FIFA por fazer o que era certo e reverter uma grande injustiça!" O técnico da seleção americana, Mauricio Pochettino, chamou a decisão de "justa". A Associação Real Belga de Futebol reagiu de forma diametralmente oposta, afirmando estar "atônita" e que "investiga todas as opções possíveis". O técnico da Inglaterra, Thomas Tuchel - que também teve um jogador expulso na vitória por 3 a 2 sobre o México no domingo - colocou em palavras o que muitos no mundo do futebol pensavam: "Onde isso começa e termina? Podemos reverter também? Onde se traça a linha? É minha pergunta, mas não tenho resposta."
O que está em jogo para os anfitriões
Para os Estados Unidos, co-anfitriões do torneio, a pressão é imensa. A seleção não alcança as quartas de final desde 2002, e jogar em casa diante de uma torcida cada vez mais apaixonada pelo esporte transformou este Mundial numa janela histórica para o futebol americano ganhar escala definitiva. Balogun, com três gols no torneio, é peça central no sistema de Pochettino - sua presença ou ausência altera o equilíbrio ofensivo da equipe de forma substancial. A Bélgica, por sua vez, chega ao confronto com a legitimidade esportiva de seu lado e com a motivação extra de uma polêmica que, independentemente do resultado, já manchou o contexto do jogo.
Espanha e Ronaldo em rota de colisão
Antes do duelo em Seattle, Dallas recebe outro jogo de altíssimo nível: Espanha e Portugal, vizinhos ibéricos e rivais históricos, medem forças por uma vaga nas quartas de final. Cristiano Ronaldo, 41 anos, chegou à entrevista coletiva do domingo no modo que o define há duas décadas - combativo. "Há 23 anos tentam me matar. Não vão conseguir agora", disse o capitão português, que soma três gols no torneio, incluindo dois na goleada por 5 a 0 sobre o Uzbequistão e um pênalti na vitória por 2 a 1 sobre a Croácia. Reconhecendo que já não é o mesmo jogador físico de outrora, Ronaldo insistiu que seu papel vai além dos 90 minutos: "Jogando ou não, sempre terei uma função importante." A Espanha, campeã europeia, começou o Mundial de forma irregular, mas ganhou confiança com a goleada de 3 a 0 sobre a Áustria nas oitavas. O técnico Luis de la Fuente apostou as fichas em Lamine Yamal, de apenas 18 anos: "Ele ama jogos assim. Gosta de ser o centro, de ter responsabilidade, de tomar iniciativa."
Brasil eliminado, Inglaterra avança
O domingo também trouxe uma notícia dura para o futebol brasileiro: a seleção foi eliminada pela Inglaterra por 2 a 1, com Erling Haaland sendo o protagonista pela Noruega - aguarda, o norueguês marcou dois gols para eliminar o Brasil em jogo no qual a Inglaterra venceu o México por 3 a 2 no Estádio Azteca. A Inglaterra agora enfrenta a Noruega nas quartas de final no próximo sábado. Para o Brasil, a eliminação representa mais um capítulo doloroso numa Copa do Mundo que o país não vence desde 2002, e que desta vez se encerrou antes mesmo das quartas de final - o estágio mínimo que a torcida brasileira considera aceitável.